sábado, 28 de janeiro de 2017

História dos bairros: Trindade.

A Fazenda da Trindade foi adquirida por Francisco José Ramos e D. Thereza Maria Moreaux Ramos, em 19 de julho de 1877 por 14 contos de réis. Seu cultivo era de café, lavoura e gado. Deste matrimônio entre Francisco e Thereza nasceu Leonor Moreaux Ramos, no dia 21/01/1886 em São Gonçalo.
Com a morte dos pais, D. Leonor vai para sua residência no Rio de Janeiro onde estavam seus parentes, mantendo ainda a fazenda Trindade. Ao casar-se mais tarde com Lauro Augusto Corrêa volta para São Gonçalo reativando a fazenda, aumentando a criação de gado, plantação de laranja, abacaxi e outras lavouras, chegando a receber menção honrosa na 1° Exposição-Feira de Produtos Agrícolas e Industriais do Município de São Gonçalo, em 27 de setembro de 1931, no concurso de produtos agrícolas.

Inauguração do Loteamento para o bairro de Trindade, 1951.
Com a morte de seu marido, D. Leonor, seguindo orientação de seu genro Humberto Soeiro de Carvalho, organizou em 11 de dezembro de 1951 a Imobiliária Trindade LTDA, para lotearem a fazenda. Durante 75 anos a fazenda fora conservada pela família, com seus sítios e pomares. O Dr. Humberto Soeiro Carvalho, reservara quatro terrenos: Um para a praça, um outro para a Igreja e outros dois para dois colégios. A praça localiza-se no coração do bairro, a Igreja da Santíssima Trindade no local do antigo oratório e os dois terrenos nos dois pólos do antigo bairro.

Leonor Corrêa.

A Igreja da Santíssima Trindade foi fundada em 25 de maio de 1967. A Sra. Leonor Corrêa, mulher de austera formação católica e esmerada educação, quis construir uma capela onde já existia um pequeno oratório erigido em homenagem à Santíssima Trindade. Neste oratório, de um cômodo, havia uma tela, pintada pelo famoso artista francês François Renné Moreaux, tio-avô da Sra. Leonor Corrêa.

Fonte: Paróquia da Santíssima Trindade - Desenvolvido pela Pastoral da Comunicação Rua Cidade de Campos, s/n - Trindade - São Gonçalo - RJ
Maria Callcott, retratada por seu segundo marido, Sir August Callcott.

Sexta-feira, 1° de março - O tempo está agora extremamente quente, o termômetro chega raras vezes abaixo de 88°, e tivemos a bordo 92° Fahrenheit. O capitão Graham teve um leve ataque de gota, razão pela qual não desembarquei desde a nossa volta da Bahia; mas como ele está hoje um pouco melhor, insistiu em que eu acompanhasse um grupo de nossos rapazes numa excursão pela baía para ver uma fazenda e um engenho.

À 1h, nosso amigo Senhor N. procurou-nos com uma grande embarcação do país, melhor para esses fins que os nossos barcos de bordo. Aquelas embarcações têm um toldo alto e dois remos grandes, triangulares, são manobrados, conforme o tamanho, por quatro, seis, oito ou mais negros, além do homem do leme. Os remadores erguem-se a cada remada e depois atiram-se de costas em seus assentos. Creio ter ouvido de atuais oficiais de marinha ser esta a maneira de remar antigamente os barcos de almirante na Inglaterra. Os remadores são aqui negros por toda a parte, alguns livres, e donos de seus barcos, outros escravos, que são obrigados a levar para casa uma quantia diária fixa, que passa para os patrões. Estes passam uma vida de total indolência, e são assim alimentados pelos seus escravos.

O lugar para onde estamos indo é Nossa Senhora da Luz, cerca de 12 milhas do Rio, para o fundo da Bahia, perto da boca do rio Guaxindiba, rio esse que nasce na serra de Taipu, e ainda que seu curso direto seja somente de cinco milhas, suas voltas medem 20 ou mais. E navegável e suas margens são espantosamente férteis. (*) Nota do Tradutor

A tarde estava encantadora e passamos através de muitas ilhas risonhas e promontórios alegremente arborizados, coalhados de jardins e casas de campo e de onde partem cada manhã para a cidade provisões, em inúmeros barcos e canoas através da baía. Nossa primeira impressão de Nossa Senhora da Luz foi uma alta margem vermelha, meio coberta de grama e árvores, erguendo-se sobre a água no sol da tarde, tal como Cuyp(**) Nota do Tradutor teria escolhido para um quadro.

No momento em que eu estava desejando alguma coisa para dar-lhe animação, surgiram os bois pertencentes ao engenho e desceram para beber e refrescar-se na baía, completando assim a cena. O gado é aqui grande e bem conformado, um tanto como a nossa raça Lancashire, e de cores variadas, ainda que predominantemente vermelho. Ao dobrar um promontório à margem, chegamos a uma igrejinha branca, com algumas árvores veneráveis em torno(*); Nota do Tradutor além dela ficava a casa, com uma comprida varanda, sustentada por colunas brancas, e, ainda adiante, o engenho de açúcar, a cerâmica e a olaria. Desembarcamos junto à casa; mas como a praia é rasa e lamacenta fomos carregados para a praia pelos negros. Não há nada mais belo que a paisagem aqui. Da varanda, além do primeiro plano doméstico e pitoresco, vemos a baía manchada de ilhas rochosas. Uma delas, chamada Itaoca, é notável por ter sido, na opinião dos índios, a residência de uma pessoa divina. Está ligada às tradições relativas ao benfeitor Zome (Sumé], que lhes ensinou o uso da mandioca e em quem os primeiros missionários aqui imaginaram ver o apóstolo São Tomé.(**)  Nota do Tradutor Consiste em uma imensa pedra rachada de alto a baixo e um pequeno espaço de terra e areia em volta, no qual há árvores e arbustos da mais fresca verdura; algumas outras ilhotas são lisas e outras têm, de novo, casas e lugarejos.

O conjunto da cena é limitado pela Serra dos Órgãos, cujos cumes enroscados e fantásticos, atraindo as nuvens que passam, proporcionam uma permanente mudança para os olhos.

Verificamos que devido à nossa negligência em mandar previamente um aviso de nossa visita, nem o proprietário, nem sua house-keeper estavam em casa. Contudo, o Senhor N., como velho amigo, dirigiu-se ao galinheiro e deu ordens para uma excelente refeição. Enquanto ela se preparava, fomos ver a cerâmica, que faz somente rude louça vermelha. A roda usada aqui é a mais grosseira e primitiva que já vi e o oleiro é obrigado a sentar-se ao lado dela. O barro tanto para os potes como para os tijolos é extraído do local. É rude e vermelho, e amassado com os pés dos burros, mas em tudo que usamos ferramentas são empregadas aqui as mãos nuas dos negros.

Os fornos para assar os tijolos e potes são em parte escavados no morro e fechados na frontaria com tijolos. Deixando a olaria, galgamos o morro que assinala a primeira aproximação de Nossa Senhora da Luz; ao subirmos o íngreme e rude flanco, nossos cães perseguiram um rebanho de carneiros, de modo tão pitoresco e precioso como o próprio Paul Potter(*) Nota do Tradutor o teria desejado. Eles haviam estado jazendo em volta da raiz de uma imensa acácia velha, decorada de inúmeras parasitas, algumas das quais penduradas como hera do tronco e outras trepando até os altos ramos e dali caindo em guirlandas sedosas e cinzentas, ou como as tilândsias, adornando-a com centenas de flores cor-de-rosa e brancas. No meio disto muitas formigas e abelhas haviam feito ninho e tudo estava transbordando de vida e beleza.

A lua ia alta muito antes de voltarmos de nossa excursão e muito antes da chegada de nosso hospedeiro. Se o embaixador de Nápoles que disse a Jorge III que a lua de seu país valia o sol da Inglaterra tivesse estado no Brasil, eu quase poderia perdoar a hipérbole. A luz clara e suave agindo em tal cenário e a fresca e confortadora brisa da tarde, depois de um dia de calor intolerável, tornam, de fato, a noite o momento de prazer neste clima. Nem eram desagradáveis os rudes cantos dos negros, a carregarem os barcos que deviam estar prontos para zarpar para o porto com a brisa de terra matutina.

Quando estávamos olhando a baía, apareceu um barco maior: aproximou-se da costa e nosso hospedeiro, Senhor Lewis P., que administra a fazenda, desembarcou e recebeu benevolamente nossas desculpas por virmos sem aviso prévio. A visita fôra há muito combinada, mas nossa estada no Rio anunciava-se agora tão curta que, se não tivéssemos vindo hoje, talvez não pudéssemos mais fazê-lo. Conduziu-nos ele ao jardim, onde ficamos até que o jantar ficou pronto. Os guardas-marinha nunca haviam encontrado tantas laranjas e fizeram-lhes ampla justiça. As frutas e verduras da Europa e América, das zonas temperada e tórrida, encontram-se aqui. Nem estão esquecidas suas flores; por cima de pequeno canteiro, uma laranjeira e um tamarindeiro ensombravam um agradável banco; junto a ele, um tanto à maneira oriental, ergue-se o muro do poço rebocado de branco e coroado com potes de flores, cheios de rosas e ervas.

[Sábado], 2 [de março] - Acordei de madrugada e andei a cavalo com Mr. N. pela fazenda, enquanto Mr. Dance, meu primo Glennie e dois rapazes iam caçar no pântano à beiro do rio.

Cada volta em nosso passeio revelava um novo e variado panorama à nossa vista: ao pé, o canavial luxuriante, adiante as laranjas amadurecendo e as palmeiras; em torno e espalhados pela planície arejada pelos ventos de Guazindiba [Guaxindiba], os limoeiros, as goiabeiras e um milheiro de esplêndidos e odorosos arbustos alindavam o caminho. Mas tudo é novo aqui. As linhas extensas das casas de fazenda, que aqui e ali ressaltam da solidão da natureza, não sugerem nenhuma associação com qualquer ideia de melhoria, tanto no passado como no presente, nas artes que civilizam ou que enobrecem o homem.
As mais rudes manufaturas, mantidas por escravos africanos, metade dos quais importados recentemente (isto é, ainda sofrendo com a ausência de tudo que dá valor à casa, mesmo de um selvagem), são os únicos sinais de aproximação do progresso. E, ainda que a natureza seja ao menos tão bela como na Índia ou na Itália, a falta de qualquer relação com o homem, como ser intelectual e moral, retira-lhe metade do encanto. Voltei contudo bem satisfeita de meu passeio, e encontrei meus jovens esportistas não menos satisfeitos com a excursão da manhã; não que tivessem matado narcejas, como pretendiam, mas tinham caçado um enorme lagarto (Lacerta marmorata), de uma espécie que não haviam visto até então. Tinham encontrado o grande caranguejo de terra (Ruricola) e haviam trazido uma ave de contramestre, espécie de pelicano (Pelicanus leucocephalus), que pretendiam empalhar. Em consequência, depois do almoço, como o tempo estava muito quente para prosseguir, o pássaro e o largato foram ambos esfolados e as espingardas limpas. Eu fiz um esboço da paisagem.

Á tarde fiz um longo passeio a um ponto de onde se avista distintamente toda a baía com a cidade ao longe. No caminho paramos numa casa de campo onde o Senhor P., que é aqui literalmente "rei, sacerdote e profeta", tinha uma investigação a fazer em relação à saúde dos moradores. Eram eles dois negros envelhecidos a serviço da fazenda e hoje inúteis. Vi exemplos de alguns nesse caso serem libertados, isto é, jogados portas a fora para morrer de fome. Estes aqui teriam direito, pelas regras da fazenda, se não pela lei, a receber diariamente a ração dos negros que trabalham, mas eles não o quiseram. De fato vivem numa cabana em terras do senhor, mas sustentam-se com a criação de algumas aves e com a fabricação de cestas: tão caro é o sentimento de independência, mesmo na idade madura, na doença e na escravidão.

Domingo, 3 [de março] — Saí antes do almoço em companhia de um carpinteiro negro como guia. Este homem, de alguma instrução, aprendeu seu ofício de modo a ser não só um bom carpinteiro, mas também um razoável marceneiro. Em outros assuntos revela uma rapidez de percepção que não dá fundamento à pretendida inferioridade da inteligência negra. Fiquei muito grata às observações que ele fez sobre muitas coisas que achei novidades, e à perfeita compreensão que parecia ter de todos os trabalhos de campo. Depois do almoço, assisti à revista semanal de todos os negros da fazenda. Distribuíram-se camisas e calças limpas aos homens; blusas e saias às mulheres, de algodão branco muito grosso. Cada um, à medida que entrava, beijava a mão do Senhor P. e curvava-se diante dele dizendo: "A bênção, meu pai" ou "Louvados sejam os nomes de Jesus e Maria" e recebia em resposta, respectivamente: "Deus te abençoe" ou "Louvados sejam". Este é o costume nas velhas fazendas: é repetido de manhã e à noite e parece estabelecer uma espécie de parentesco entre o senhor e o escravo. Deve diminuir os males da escravidão quanto a um, a tirania do patrão quanto a outro, reconhecer assim, acima de todos, o Senhor, do qual ambos dependem.

   À medida que cada escravo era passado em revista, faziam-se algumas perguntas relativas a ele próprio, sua família, se ele a tinha, e seu trabalho. Cada um recebia uma quantidade de rapé ou tabaco, segundo a preferência. O Senhor P. é uma das poucas pessoas que encontrei a conversar no meio dos escravos, e que parece ter feito deles objeto de atenção racional e humana. Contou-me que os negros crioulos e mulatos são muito superiores em diligência aos portugueses e brasileiros, os quais, por causas não difíceis de serem imaginadas, são, pela maior parte, indolentes e ignorantes. Os negros e mulatos têm fortes motivos para esforçar-se em todos os sentidos e serem, por consequência, bem sucedidos naquilo que empreendem. São os melhores artífices e artistas. A orquestra da ópera é composta, no mínimo, de um terço de mulatos. Toda pintura decorativa, obras de talha e embutidos são feitos por eles; enfim, excelem em todas as artes de engenho mecânico.

À tarde acompanhei o Senhor P. para ver os negros receberem a ração diária de comida. Consistia em farinha, feijão e carne-seca, uma quantidade fixa de cada coisa por pessoa. Um homem pediu duas rações em vista da ausência do vizinho, cuja mulher pedira que lhe fosse enviada sua quota para estar preparada quando ele voltasse.

Algumas perguntas feitas pelo Senhor P. acerca dessa pessoa induziram-me a perguntar sua história. Parece que é ele um mulato remador, o escravo de mais confiança da fazenda, e rico, porque foi tão industrioso que conseguiu uma boa porção de propriedade privada, além de cumprir seus deveres para com o senhor. Na sua mocidade, e ainda não é velho, havia-se ligado a uma negra crioula, nascida, como ele, na fazenda; mas não se casou com ela senão quando obteve bastante dinheiro para comprá-la, de modo que seus filhos, se os tivesse, nascessem livres. Desde esse tempo enriqueceu bastante para comprar a sua própria liberdade, mesmo pelo alto preço que um escravo como ele deve alcançar, mas o seu senhor não lhe quer vender a alforria, por serem os seus serviços valiosos demais para dispensá-los, apesar de sua promessa de ficar trabalhando na fazenda. Infelizmente, esta gente não tem filhos. Portanto, pela morte deles, a propriedade, agora considerável, reverterá ao senhor. Se tivessem filhos, como a mulher é livre, eles poderiam herdar a propriedade materna e não há nada que possa impedir ao pai transferir à esposa tudo o que possui. Gostaria de ter o talento de escrever uma novela a respeito dessa história de escravos; mas os meus escritos, como os meu desenhos, não conseguem ir além da descrição da natureza e permito que melhores artistas possam aproveitar o assunto.

A noite foi muito tempestuosa. Nuvens pesadas haviam coberto a serra dos Órgãos; fortes relâmpagos, chuva violenta e vento ruidoso ameaçaram a fazenda com uma noite de terror. Mas tudo passou, como visão da grande e brilhante beleza de uma tempestade elétrica numa terra montanhosa; quando a lua rompeu através das nuvens, a noite parecia, em contraste com as últimas poucas horas, ainda mais encantadora do que antes.

"Sable clouds
Turned forth their silver lining on the night,
And cast a gleam over the tufted grove."(*)  Nota do Tradutor

Foi, então, quando ouvi sons de música, - não exatamente como um eco do poema de Milton com a melodia de Henry Lawes(*),  Nota do Tradutor

com que a noite e o espetáculo me haviam feito sonhar — mas a voz dos escravos, em noite de férias, enganando seus sofrimentos com cantigas estranhas tocadas em rudes instrumentos africanos. Tomando um de meus companheiros de bordo, fui logo às cabanas dos escravos casados, onde se realizava a função, e encontrei os grupos a brincar, a cantar e a dançar à luz da lua. A veneração supersticiosa por este belo planeta dizem ser bem generalizada na África, tal como pelas Plêiades entre os índios do Brasil; provavelmente os escravos, ainda que batizados, dançam para a lua lembrando-se de casa. Quanto aos instrumentos, são as coisas menos artificiais que jamais produziram sons musicais. E contudo não produzem efeito desagradável. Um é simplesmente composto de um pau torto, uma pequena cabaça vazia e uma só corda de fio de cobre. A boca da cabaça deve ser colocada na pele nua do peito, de modo que as costelas do tocador formam a caixa da ressonância, e a corda é percutida com um pauzinho.(**)  Nota do Tradutor

Um segundo tem mais a aparência de um violão: a cabaça vazia é coberta com uma pele; tem um cavalete e duas cordas; é tocado com os dedos. Um outro, da mesma classe, é tocado com um arco; não tem senão uma corda, mas é trasteado com os dedos. Todos eles são chamados gourmis [sic]. Havia, além deles, tambores feitos de escavações em troncos de árvores, de quatro ou cinco pés de comprido, fechados de um lado com madeira e recobertos de pele do outro lado. Para tocá-los, o tocador põe o instrumento no chão, monta em cima, e bate o ritmo com as mãos para seu próprio canto ou para o som dos gourmis.(***)  Nota do Tradutor A pequena marimba tem um som muito doce. Em uma peça chata de madeira sonora, fixa-se um pequeno cavalete e a este se amarram pequenas chapas de ferro, de diversos tamanhos, de modo que ambos os lados vibrem sobre a tábua, sendo um mais largo e mais elevado que o outro. Este lado largo é tocado com os polegares, sustentando-se o instrumento com ambas as mãos. Todos eles são tocados de modo peculiar e com grande nitidez, especialmente a marimba(93),  Nota do Autor

   mas como não sou música não sei explicar os seus métodos.

   4 [de março] — Fiquei realmente muito triste esta manhã pelo nascer do sol, ao ver os barcos prontos para levarem-nos de Nossa Senhora da Luz, onde havia aproveitado nossos três dias tanto quanto possível, em boa companhia, com um amável anfitrião, o tempo livre e sem nenhuma obrigação, tal como poderia convir aos habitantes do castelo da indolência, "onde cada qual vagabundeava da maneira mais agradável".

"There freedom reigned without the least alloy;
Nor gossip's tale, nor ancient maiden's gall.
Nor saintly spleen, durst murmur at our joy,
And with envenomed tongue our pleasures pall.
For why? There was but one great rule for all:


To wit, that each should work his own desire."(*)  Nota do Tradutor

Voltamos ao navio por caminho diferente do que viéramos, através do arquipélago de lindas ilhas na parte oriental da baía. Tive o prazer de encontrar o capitão realmente melhor, ainda que com os pés ainda um pouco fracos.


Referências:

BELLUZZO, Ana Maria de Moraes. The Voyager's Brazil. São Paulo, Metalivros; Salvador, Fundação Emílio Odebrecht: 1995.
CERDAN, Marcelo Alves. Maria Graham e a escravidão no Brasil: Entre o olhar e o bico de pena de uma viajante inglesa do século XIX. Cadernos de História Social (Campinas), v. 10, p. 121-147, 2003.
GRAHAM, Maria Dundas. Diário de uma viagem ao Brasil e de uma estada nesse país durante parte dos anos 1821, 1822, 1823. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1956.
GRAHAM, Maria. Diário de uma viagem ao Brasil. Belo Horizonte; São Paulo: Ed. Itatiaia; EDUSP, 1990. 423p. il.http://www.ifch.unicamp.br/ojs/index.php/historiasocial/article/view/82/76
LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário Crítico da Pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.
Brasiliana da Biblioteca Nacional. Rio de Janeiro, 2001.




quarta-feira, 23 de julho de 2014

Logo - Ocupação Cultural - Fazenda Colubandê


Essa é a marca da Ocupação Cultural - Fazenda Colubandê, que vocês podem vir acompanhando no facebook na página Fazenda Colubandê - Quem Ama Cuida. Espalhem essa marca, compartilhem e enviem para os seus amigos.

Ela é uma referência num trabalho pioneiro em parceria entre a sociedade civil, o governo do Estado e instâncias do governo Municipal em prol da defesa de um patrimônio histórico mundialmente conhecido.



A Logo foi desenvolvida pela Agência PapaGoiaba, também gonçalense, a logo trás a imagem da Fazenda Colubandê e também uma árvore que tem sua copa repleta de mãos. Cada uma dessas mãos representa cada uma das entidades participantes da Ocupação Cultural.

Vamos que vamos, os trabalhos não param e, defender a memória de São Gonçalo é lutar por um futuro com melhor qualidade de vida e identificação com o território.



quinta-feira, 10 de julho de 2014

A praça pichada dos Ex-Combatentes.

A matéria sobre os pontos turísticos históricos de SP não é caso isolado. São Gonçalo, cidade com mais de 1 milhão de habitantes também sofre com o descaso de alguns moradores que insistem em usar a tinta das latas não para criar arte e crítica com o grafite, mas sim para "incomodar".

Podemos citar como exemplo a Praça dos Ex-Combatentes. A Praça dos Ex-combatentes foi fundada em 1970 e exibe objetos utilizados na Segunda Guerra Mundial, como uma rampa de lançamento de bombas, uma bomba de profundidade, uma âncora de navio da Marinha, um canhão de artilharia, um tanque de guerra e um monumento às Forças Armadas. A praça é considerada um museu a céu acerto e encontra-se próxima a associação dos ex-combatentes de São Gonçalo.

Mesmo sendo um símbolo importante da história do Brasil, jovens de diversas idades insistem em depredar o patrimônio histórico, Textos como o Rogério Fernandes da Silva, A Praça dos Ex-Combatentes: memória e Esquecimento e do jornalista Assueres Barbosa, falando sobre o Museu dos Ex-Combatentes, parece que não auxiliaram na proteção do patrimônio gonçalense.


Fotos de Mica Vasconcelos.


O ataque aos patrimônios históricos e culturais não é novidade. A pouco tempo criou comoção nacional mais um ataque ao monumento à Drummond que teve as marcas do ataque apagadas por pessoas comuns, como eu e você, que a limpou. Para crítica de uns e gratidão de milhares.

A única coisa que vem a minha cabeça é o que esses jovens que pichadores tem na cabeça. Será que eles consideram a pichação arte? Devemos ter em mente que a pichação se distingue MUITO do grafite. De acordo com um artigo publicado pela fundação Joaquim Nabuco vemos a seguinte passagem: O grafite é considerado uma arte de rua, muitas vezes uma forma pacífica de protesto. Já a pichação é uma atitude de vandalismo e tratada como crime.


Para deixar bastante claro: A prática de pichar é condenada pelo artigo 65 da Lei dos Crimes Ambientais, número 9.605/98, e que estabelece punição de três meses a um ano de cadeia, além do pagamento de multa àquele que "pichar, grafitar ou, por outro meio, conspurcar edificação ou monumento urbano". No entanto, há uma grande dificuldade em punir quem pratica tal ato, principalmente pela falta de provas, já que as práticas são cometidas durante as madrugadas.


Entretando o rastro da pichação permanece. Incomoda pela impunidade. Incomoda quem gosta da história dos lugares e incomdoa aqueles que se dedicam a arte de rua, ao grafite e que muitas vezes é confundindo com pichador. Incomoda aqueles que tem seu patrimônio privado invadido por essa prática equivocada.


E vocês? O que acham de ter suas casas pichadas? A memória riscada? A história maculada? A praça dos Ex-Combatentes sempre suja?




Para ler a matéria do site Defender, clique aqui.


Para ler mais.

Pichação: Arte ou Vandalismo? Link.
Tafulhar: Praça dos Ex-Combatentes: Marcas de um passado heróico. Link.
Praça dos Ex-Combatentes - Mapa da Cultura. Link.
Museu dos Ex-Combatentes. Link.

sábado, 5 de julho de 2014

Mestre Ziza, da Av. Paiva para o Mundo.

Nelson Rodrigues dizia que bastavam os alto-falantes do Maracanã anunciarem seu nome para saber quem seria o vencedor da partida. Seu nome Thomaz Soares da Silva, mas foi mais conhecido como Zizinho ou ainda como Mestre Ziza, nasceu em São Gonçalo, na Avenida Paiva, número 77, no bairro de Neves no ano de 1921.
Trabalhou na Fábrica de Tecidos do Barreto ainda bem jovem, também trabalhou no Loyd Brasileiro antes de começar a jogar futebol começando pelo Clube Carioca, disputando o Campeonato Niteroiense. Jogou em diversos times do bairro de Neves. Enquanto atuava por times de São Gonçalo e Niterói, permaneceu atuando como operário.

 
Sendo amparado na final da copa do mundo de 50 e abraçado com Leônidas da Silva, o Diamante Negro.

             Abandonou o Loyd Brasileiro quando foi chamado para integrar o Clube de Regatas do Flamengo. Esse momento durou entre os anos de 39 e 50. Foi considerado um dos maiores jogadores do futebol mundial. Foram 329 jogos com 146 gols marcados. Mestre Ziza é considerado o maior ídolo do clube até a chegada de Zico.

Zizinho jogou ainda por outros times. Bangu, onde repetiu a fase que vinha tendo no Flamengo, se tornando ao longo de duas passagens o 5° maior artilheiro da história do Clube, São Paulo, Uberaba e Audax Italiano (do Chile). O gonçalense de neves, morador na juventude da Avenida Paiva alcançou a seleção brasileira. Foram 30 gols marcados em 54 jogos com 37 vitórias, 4 empates e 13 derrotas. uma delas, o fatídico Maracanaço, a derrota na final da copa de 50. Entretanto, mesmo com a derrota na final, Zizinho foi considerado o melhor jogador da Copa de 50 e, considerado por muitos como o jogador mais completo do mundo depois de Pelé.

Usando a camisa do Flamengo após o tri-campeonato de 1942-43-44 e, na direita, com a então camisa da Seleção Brasileira com o escudo da CBD.